DEPUTADO PADRE JOÃO (PT)
Discurso
Declaração de posição contrária ao projeto de resolução, de autoria da
Comissão de Constituição e Justiça, que delega ao Governador do Estado
atribuição para elaborar leis delegadas dispondo sobre a estrutura da
administração direta e indireta do Poder Executivo.
Reunião
90ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 22/12/2010
Página 155, Coluna 1
Assunto EXECUTIVO. (ALMG).
Proposições citadas PRE 4999 de 2010
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 22/12/2010
Página 155, Coluna 1
Assunto EXECUTIVO. (ALMG).
Proposições citadas PRE 4999 de 2010
90ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
16ª LEGISLATURA, EM 17/12/2010
Palavras do Deputado Padre João
O Deputado Padre João - Sr. Presidente, nobres colegas Deputados
e Deputadas, infelizmente chega o momento em que será apreciado o
projeto de resolução. Desde o início da sua tramitação, ainda na
formatação de projeto de resolução, quando era mensagem do
Governador, nós da Bancada de Oposição, do PT e do PCdoB,
manifestamo-nos contrariamente ao governo do Estado legislar
durante o período do recesso parlamentar. Delegar amplos poderes
para o Governador legislar é abrir mão do nosso dever, da
prerrogativa do Deputado e da Deputada. Não é concebível delegar
esse poder a um governo que está vigorando há oito anos, cujos
núcleo e equipe são os mesmos, inclusive o Governador eleito ou
reeleito, que está no planejamento desde 2003. Por que essa
reforma administrativa, que alega ser urgente, não foi feita
antes, com a participação da Assembleia Legislativa, a fim de dar
oportunidade aos servidores públicos de se manifestarem? A única
abertura existente para a participação do servidor público é aqui,
com tramitação dos projetos na Assembleia Legislativa e por meio
das Comissões. Assim, há a possibilidade de participação, até
porque Secretarias importantes como a de Educação nunca recebem os
servidores ou os sindicatos, não dão oportunidade de o servidor
público se manifestar e de construir o melhor para o Estado de
Minas Gerais. Nossa defesa é em favor do Estado de Minas Gerais,
dos servidores do Estado e das entidades da administração direta e
indireta do Estado. Por isso, somos contra esse projeto de
resolução.
Votaremos contrariamente a esse projeto de resolução por entender
que legislar à revelia da Assembleia Legislativa é uma prática da
ditadura, de um governo autoritário. Não me venham comparar lei
delegada com medida provisória, porque nem a emenda que
apresentamos ao longo da tramitação, desde o início da mensagem -
posteriormente essa emenda foi reapresentada pelo Deputado Carlin
Moura - foi acolhida. De acordo com essa emenda, concedemos poder
ao Governador. Quantas leis delegadas teremos? Dez? Vinte? Trinta?
Não sabemos. Mas qual era a oportunidade que havia na emenda que
apresentamos a esse projeto de resolução? Que cada lei fosse
apreciada pela Assembleia Legislativa, mesmo com grande restrição
da Constituição, que não permitiria nenhuma emenda. Poderíamos
votar contra ou a favor daquela lei; derrubá-la ou mantê-la. A
medida provisória é apreciada pelo Congresso, mas aqui nem isso
poderemos fazer. Até a possibilidade de apreciarmos cada lei nos
foi tirada, mesmo com a restrição de não podermos apresentar
nenhuma emenda. Nós, Deputados, não devemos transferir ao
Governador uma missão nossa, um dever confiado pelo povo, a
perspectiva de legislar a favor dele, a favor de um Estado de
Direito. Não poderemos ter um recesso tranquilo se não soubermos o
que pretende a equipe do governo, de um gabinete fechado,
trancado, porque não há abertura para a participação dos
servidores. Em nosso entendimento, isso ainda é inconstitucional,
porque altera a administração indireta, quando na resolução fica
claro que se podem mudar os objetivos, que se pode mudar tudo.
Então, o rótulo será um, e o conteúdo será outro. Pode, por
exemplo, acabar com as administrações fazendárias no interior.
Isso está claro na lei, e vão poder fazê-lo. Depois, seremos
procurados pela base: “E agora, como vamos fazer? Estou neste
Município há 20 anos, há 30 anos trabalhando aqui; estruturei
minha família aqui”. A área de trabalho, como administração
fazendária, pode ser extinta, e mesmo na administração indireta.
Não sabemos o que será da Emater, da Epamig, da Cemig, da Copasa,
do próprio Ipsemg, por isso não podemos abrir mão da prerrogativa
de legislar. Aqui são sintetizados os interesses do povo mineiro,
com diálogo, com debate, com a busca de entendimento. Aqui existe
abertura para a participação da sociedade civil organizada, para
os servidores públicos. E não é apenas abrir mão da nossa
prerrogativa, mas impedir a participação popular no processo
legislativo. Seria omissão de nossa parte e, para mim, omissão é
sinônimo de covardia. Assim, rogo aos nobres pares que votemos
contra essa resolução, não simplesmente porque estamos contra o
Governador, mas porque queremos participar. Não podemos abrir mão
de uma missão que nos foi confiada pelo povo para estar com ele,
defender os interesses dele, o interesse de uma coletividade. Não
podemos admitir que o governo que está aí seja exemplo de gestão e
de planejamento. Se assim o fosse, essa reforma administrativa já
teria sido feita com a participação desta Casa e dos servidores
públicos. O meu apelo é que não abramos mão dessa prerrogativa de
legislar. Podemos muito pouco como Deputado Estadual, e ainda
querem nos tirar esse pouco que podemos? Não podemos permitir
isso. Esse é o nosso apelo e o da nossa Bancada do PT, com a
participação da Bancada do PCdoB. Agora temos a oportunidade de
externar a sua indignação em defesa do Estado Democrático de
Direito. Se garantirmos ao governo amplos poderes para legislar,
estaremos ferindo a democracia. Esse é o meu apelo aos nobres
pares. Só poderemos ir tranquilos para o recesso se derrubarmos
essa resolução, porque não sabemos o que será feito com a
administração direta e, sobretudo, com a indireta, e com a vida
dos servidores. Dizer que não se pode mexer com servidores
concursados é uma mentira, uma farsa, porque a própria resolução
dá essa abertura. Quando há extinção de um órgão da administração
indireta, é necessário fazer o remanejamento desses servidores,
portanto a vida deles será atingida. Peço aos nossos colegas que
votem contra essa resolução pelo povo mineiro. Muito obrigado.