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Importância do Cerrado pauta debate da Comissão de Meio Ambiente

Atividade será nesta segunda (2/12), com programação ao longo do dia, abordando também cenário atual e caminhos para preservar o bioma.

29/11/2024 - 10:35
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Discutir a importância do Cerrado e a necessidade de medidas de preservação da sua biodiversidade no Estado é o objetivo de debate público que a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza, nesta segunda-feira (2/12/24), no Auditório José Alencar.

Solicitado pelas deputadas do PT Beatriz Cerqueira e Leninha, 1ª-vice-presidenta da ALMG, a programação terá início às 9 horas com uma mesa de abertura e prosseguirá até o fim da tarde.

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A partir das 10 horas, o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Minas Gerais, Sergio Augusto Domingues, e a professora titular do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília Mercedes Bustamante vão participar da mesa sobre o cenário atual do bioma Cerrado em Minas Gerais.

O presidente do Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, Samuel Leite, e o biólogo e secretário da Comissão Técnica de Meio Ambiente do Conselho Regional de Biologia da 4ª Região, Flávio Fonseca, serão os debatedores.

Mesa aborda caminhos para conservação do Cerrado

Após um intervalo, a programação do evento retorna às 14 horas, com mesa que vai abordar caminhos para a conservação do Cerrado.

Os expositores serão a coordenadora-geral da Rede Cerrado, Maria de Lourdes Nascimento, o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador na área de conservação da biodiversidade, Adriano Paglia, bem como o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires.

Como debatedores, foram chamados o diretor-geral do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Breno Lasmar, e o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Meio Ambiente no Estado de Minas Gerais (Sindsema), Wallace Oliveira.

O professor do Núcleo Interdisciplinar de Investigação Socioambiental da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Rômulo Soares Barbosa, e a integrante da executiva da Campanha Permanente em Defesa do Cerrado, Simone Oliveira, também serão debatedores.

Deputadas reforçam necessidade de preservação

As parlamentares que propuseram o debate enfatizam a necessidade de conservar o Cerrado. 

A deputada Beatriz Cerqueira apresentou proposições com essa finalidade. Uma delas é o Projeto de Lei (PL) 4.004/22, que cria a Política Estadual de Proteção e Desenvolvimento Sustentável do Cerrado. A matéria aguarda parecer na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

A outra é o PL 2.379/24, o qual estabelece setembro como o mês do Cerrado com o intuito de promover a conscientização e ações que visem a preservação do bioma em Minas Gerais. A matéria aguarda parecer na Comissão de Constituição e Justiça.

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Conforme afirmou a parlamentar, o debate público vai contribuir também para subsidiar o parecer a esse projeto.

Já a deputada Leninha, bióloga por formação, defende que é preciso impedir a aniquilação de um bioma como o Cerrado, seja pela mineração, pela monocultura do eucalipto ou por empreendimentos de energia fotovoltaica.

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Caixa d’água do Brasil

Considerado a caixa d’água do Brasil, o Cerrado abriga nascentes ou leitos de rios de oito bacias hidrográficas dentre as 12 que existem no País. O Rio São Francisco, por exemplo, tem mais de 90% de suas nascentes situadas nesse bioma.

Conforme o ICMBio, o Cerrado é também uma das regiões de maior biodiversidade do mundo. Estima-se que possua mais de 6 mil espécies de árvores e 800 espécies de aves.

É o maior bioma de Minas Gerais, aparecendo especialmente nas bacias dos rios São Francisco e Jequitinhonha. Nesse bioma, as estações seca e chuvosa são bem definidas. A vegetação é composta por gramíneas, arbustos e árvores.

Também abriga povos e comunidades tradicionais, que dependem diretamente de sua biodiversidade para manter seus modos de vida, trabalho e renda.

De acordo com o ICMBio, o Cerrado é um dos biomas mais ricos e ameaçados do mundo, ao lado da Mata Atlântica.

Desmatamento do Cerrado ultrapassa Amazônia

Dados da plataforma MapBiomas mostraram que o desmatamento no Cerrado ultrapassou o da Amazônia em 2023, pela primeira vez em cinco anos de levantamento. O Relatório Anual de Desmatamento foi divulgado em maio deste ano.

Segundo o relatório, o bioma apresentou a maior área desmatada entre as demais, totalizando 1.110.326 milhão de hectares. Em 2022, o total de áreas desmatadas no Cerrado foi de 662.186, o que indica aumento de 67,7%.

Mais da metade de toda a área desmatada no Brasil em 2023 ocorreu no bioma. Com exceção de Piauí, São Paulo e Paraná, todos os outros estados com Cerrado registraram aumento do desmatamento em 2023 na comparação com 2022.

FOTO DE CERRADO
“O Cerrado foi, este ano, um bioma extremamente atacado, vivemos situações gravíssimas de incêndios. Em Minas Gerais, foi muito afetado. Apresentei um projeto de lei exatamente para que o Estado tenha uma política estadual de proteção do Cerrado. É preciso chamar toda a sociedade para juntarmos forças para essa proteção.”
Beatriz Cerqueira
Dep. Beatriz Cerqueira
“Por mais de 20 anos, lutei e sigo em luta pelo direito à água, pela defesa da agroecologia, da agricultura familiar e dos modos de produção dos povos tradicionais que respeitam e obedecem aos ciclos da natureza. A convivência com o Cerrado, com os seus povos tradicionais, suas práticas de vida e produção me formaram enquanto bióloga e como pessoa.”
Leninha
Dep. Leninha

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