DEPUTADO CAPOREZZO (PL)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 21/03/2025
Página 82, Coluna 1
Indexação
14ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 19/3/2025
Palavras do deputado Caporezzo
O deputado Caporezzo – Boa tarde, presidente; boa tarde, colegas deputados estaduais. (– Canta.) “Hoje você é quem manda; falou está falado; não tem discussão”. Eu nunca imaginei, nem nos meus piores pesadelos, começar um discurso meu cantando Chico Buarque. Foi ele que fez essa música muito pertinente para os dias atuais, mas a fez como uma crítica ao regime militar brasileiro.
Vejam só, em 1932, o autor Aldous Huxley, do livro Admirável mundo novo, escreveu o seguinte: “A ditadura perfeita terá as aparências de uma democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga, um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão”.
É realmente lamentável perceber como que essa distopia se aplica aos dias de hoje. Quando eu vejo que temos um deputado federal abdicando do seu cargo, ele, que é filho de um ex-presidente da República e que é simplesmente a voz mais forte do conservadorismo brasileiro em nível internacional, o deputado Eduardo Bolsonaro; quando vejo o seu pai, presidente Bolsonaro, chorando, falando que nós vivemos hoje um sistema autoritário similar ao nazifascismo; quando vejo uma mãe de família presa, há mais de dois anos, por usar um batom... Ela escreveu a frase de um ministro, ela não escreveu uma frase dela. Era a frase de um ministro, na estátua da Justiça, em frente ao STF, o que pôde tranquilamente ser limpo ali com água e sabão. Ela está há dois anos presa, mas sabe quem é que está condenado de verdade? São os filhos dela, uma criança de 6 anos e uma criança de 9 anos. Estão condenadas a viver sem a mãe em um período de desenvolvimento da criança, da infância, que é fundamental para a formação do caráter. Quando vejo que eles mataram o Clezão, eu me pergunto como é possível que ainda existam pessoas que defendem que nós vivemos a plena normalidade democrata, a plena normalidade da democracia.
O que está acontecendo com este país, porra!? Ninguém está percebendo o tamanho da ditadura que nós vivemos. Vocês acham mesmo que o mundo não está ciente do que nós vivemos hoje? Eu percebo como as palavras do deputado Eduardo Bolsonaro, que é uma referência para mim, são pertinentes. Ele fala o quê? Que é impossível exigir entendimento a homens de geleia, pessoas que acham que podem tudo, que criam suas próprias regras, que acham que vão conseguir todas as suas vontades. Irão realizá-las através de chantagem, da perda de um carguinho. Certamente o deputado Eduardo Bolsonaro não queria abdicar do seu cargo de deputado federal, mas essas pessoas, que hoje oprimem a direita no Brasil, não têm sequer capacidade de perspectiva dos valores que nos motivam. Infelizmente a solubilidade da alma delas é incapaz de ter a perspectiva do que homens de valor são capazes de fazer. Vocês não têm o poder de chantagear quem age por valores. Podem ter certeza de que se tem algo que a história já nos ensinou diversas vezes é que nenhuma ditadura dura para sempre.
Hoje vocês deram piti, a esquerda unida com esses membros inconsequentes da ditadura do Judiciário, agindo como se esse tipo de centralização de poder não pudesse, em algum momento, se voltar contra vocês, como já aconteceu. O descondenado estava preso, há algum tempo, por ter cometido crimes, e o STF nada fez. Depois o Bolsonaro assumiu. Eles ficaram esperando aparecer um novo líder da esquerda, mas não apareceu. Eles foram forçados a colocar o molusco cachaceiro de nove dedos de volta ao local do crime. Mas, é claro, hoje quem é interessante pode não ser amanhã. Então esse tipo de conduta da esquerda é totalmente irresponsável. Eu faço questão de lembrar aos membros do Poder Judiciário que, em toda a história, invariavelmente as ditaduras caíram. Independentemente do tempo que duraram, elas caíram.
Quero ler para eles um trecho da Constituição, aliás, um texto da Lei nº 1.079, de 1950. “Dos ministros do Supremo Tribunal Federal.” Está aqui o art. 39: “São crimes de responsabilidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal: § 2º – Proferir julgamento quando, por lei, seja suspeito na causa”. Isso aqui é motivo de impedimento. Está bem? Cabe ao Senado Federal mover processo de impeachment contra ministro do Supremo. Nós não sabemos como será o futuro, mas podem ter certeza de que, se a direita tiver a maioria no Senado, nas próximas eleições, eu irei pessoalmente ao gabinete de cada senador. Se o presidente Bolsonaro me escolher para esse cargo, estarei no meu, para promover o impeachment de cada ministro do Supremo que deveria se colocar suspeito para julgar o presidente Bolsonaro, e não o fez. Aqui ninguém vai se acovardar.
Eu parabenizo o deputado Eduardo Bolsonaro pela sua coragem. Eu, que o conheço, sou seu amigo há muito tempo, sei, Eduardo, como você gostaria de estar com o seu pai neste momento. O Brasil inteiro viu o seu choro, mas você provou, com o seu sacrifício, que colocou o Brasil em primeiro lugar e que nenhum fruto cai longe da árvore. Você é muito digno de carregar o nome do seu pai e é motivo de orgulho para todos nós. Está bom? Apesar de vocês, ministros do Supremo, Lula e toda a sua caterva, nós vamos vencer. (– Canta:) “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.” Obrigado, presidente. A direita vive em Minas Gerais!