DEPUTADA LOHANNA (PV)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 21/03/2025
Página 42, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 249 de 2023
2ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 19/3/2025
Palavras da deputada Lohanna
A deputada Lohanna – Bom dia, presidente! Bom dia aos colegas deputados! Eu nem ia falar desse projeto, presidente, mas depois de ouvir a fala do deputado Caporezzo, do deputado Sargento Rodrigues e da deputada Bella Gonçalves, eu não poderia deixar de subir aqui para falar. Eu não sei quantos dos colegas deputados, João Magalhães, viveram a experiência de uma ameaça de morte. Eu não sei quantos de vocês viveram a experiência de ter seus dados bancários vazados, de divulgarem fotos do interior da sua casa, de divulgarem fotos do seu irmão em idade escolar entrando na escola e falarem que vão pegá-lo. Eu vivi isso, a deputada Bella Gonçalves viveu também, a deputada Beatriz viveu também, a deputada Andréia de Jesus viveu também. E foi, presidente, o pior momento da minha vida. No entanto, a gente teve muito apoio aqui da Casa e muito apoio da Polícia Militar e da Polícia Civil.
Eu cheguei aqui na Casa sem conhecer muito da Polícia Militar, sem conhecer muito da dinâmica do dia a dia de trabalho, sem tanta proximidade. Eu venho da educação. Eu conheço o dia a dia das escolas, eu conheço as demandas dos professores, eu conheço as dificuldades e as lutas dos trabalhadores da educação. E o momento da escolta – acho que eu posso falar isso pela deputada Bella, pela deputada Beatriz e talvez pela deputada Andréia também – foi um momento, Betão, que serviu para conhecer os nossos policiais. Foi um momento para aprender a respeitá-los muito mais, foi um momento para entender a dureza da vida deles e a quantidade de risco a que eles estão expostos.
Pensar que o Estado de Minas Gerais permite o policiamento unitário é o que me deixa escandalizada e eu acompanhei a audiência pública de 2023, João, quando o Rodrigues fez essa discussão aqui na Casa. Na época, o comando disse que o policiamento unitário é permitido para prevenção, é permitido em casos específicos, é proibido em zona de conflito e que, se mesmo na prevenção, nos casos específicos e fora de zonas de conflito, acontecer algum problema, o policial pode solicitar o apoio da região. E quanto tempo esse apoio da região vai demorar para chegar, o policial que se vire, não é?
É inadmissível que esse projeto já não tenha sido aprovado anos atrás, é inadmissível que essa prática seja permitida, e é inadmissível que um governo, que faz tanto panfleto e tanta propaganda usando a segurança pública, um governo que gosta tanto de falar que é de direita, que defende propriedade privada, que é contra invasão no campo ou que “pipipipopopó”, igual este governador fala, deixe os nossos policiais viverem desse jeito. Isso é um absurdo, presidente. Quanto ao policial que está no policiamento, como o Rodrigues falou, que é o policial de baixa patente, mais ainda! Normalmente ele é pai de menino pequeno. É um policial de trinta e poucos anos, que tem menino que depende dele, que tem filho em idade escolar, que eventualmente tem uma esposa que ganha menos do que ele, porque a gente sabe que essa é uma realidade, infelizmente, no País ainda. O que fica para essa família se esse policial for baleado, se esse policial ficar em cadeira de rodas, se esse policial morrer? Isso é um absurdo, e eu tenho certeza de que a gente tem condição, enquanto Parlamento, de corrigir essa injustiça tão grande com os nossos policiais.
O momento da escolta foi muito duro, presidente, mas serviu para uma coisa que eu vou agradecer para o resto da vida, que foi para eu ganhar respeito às nossas forças de segurança, o mais alto possível. Então parabéns pelo projeto, Caporezzo. Conte com o nosso voto e com a nossa defesa.
O presidente – Obrigado, deputada Lohanna.