Pronunciamentos

DEPUTADO DOUGLAS MELO (MDB), Presidente "ad hoc", autor do requerimento que deu origem à homenagem.

Discurso

Presta homenagem aos trabalhadores da saúde pela atuação no combate à pandemia de Covid-19.
Reunião 21ª reunião ESPECIAL
Legislatura 19ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 03/12/2021
Página 2, Coluna 1
Assunto CALAMIDADE PÚBLICA. HOMENAGEM. PESSOAL. SAÚDE PÚBLICA. TRABALHO, EMPREGO E RENDA.
Observação Pandemia coronavírus 2020
Proposições citadas RQO 1144 de 2021

21ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 29/11/2021

Palavras do presidente (deputado Douglas Melo)

Palavras do Presidente

O presidente - Boa noite a todos e a todas. Ainda que estejamos falando de Covid, eu vou pedir licença para retirar a máscara, respeitando o distanciamento de segurança, e se Deus quiser, daqui a alguns dias, não haverá mais a necessidade de continuarmos com ela.

Primeiro quero falar da minha alegria nesta noite por ter a presença de vocês, que vieram do interior. Nós sabemos que, numa segunda-feira à noite, quando vai chegando novembro, a gente fica igualzinho a boia que fica muito tempo no sol, a gente já está murchinho de tanto cansaço, ainda mais neste ano, não é, gente? Mas vocês estão aqui para esta noite tão importante. Então para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais é motivo de muita alegria.

Eu quero aqui deixar o meu abraço ao presidente desta Casa, que tão bem vem conduzindo a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, participando das ações no nosso estado mesmo diante de momentos tão complicados, meu amigo, presidente Agostinho Patrus.

Quero aqui convidar... Cumprimentar, melhor dizendo – daqui a pouco a gente vai convidá-la –, de forma muito especial, ela que representa todos os profissionais da saúde, principalmente aqueles de linha de frente, neste ano tão complicado, e que é a nossa homenageada nesta noite. Quando a gente conversava no gabinete, falávamos sobre quem a gente iria homenagear, falei: “Os profissionais da saúde foram além do atendimento, foram além dos cuidados; eles foram também pessoas que estavam muito expostas e correram muito risco”.

Eu queria saber quem tinha sido o primeiro profissional de Sete Lagoas, a cidade que tem uma pactuação gigante, que atende mais de 30 municípios. Eu queria saber quem foi o primeiro a ter a Covid, e imagino a ansiedade que ele passou. Aí nós descobrimos que foi a nossa querida técnica de enfermagem Lisley de Souza Goulart. Eu peço uma salva de palmas para ela, representando todos os profissionais da saúde.

Quero cumprimentar meu amigo, deputado Gil Pereira, nosso professor aqui na Casa, deputado de vários mandatos. Você nos honra muito – viu, Gil? – com sua presença aqui hoje nesta Casa. Fico muito feliz por tê-lo aqui.

Quero cumprimentar o nosso Ten.-Cel. BM Antônio Carlos de Melo Rocha, representando aqui o comandante-geral do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o Cel. Edgard Estevo da Silva. Lembrando que, depois da tragédia de Brumadinho, nós imaginávamos que tínhamos vivido a maior tragédia que poderíamos passar. O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais também foi muito importante nessa luta contra a pandemia, inclusive ajudando com equipes de atendimento de urgência e emergência. Então, fica aqui o nosso abraço, Cel. Antônio Carlos de Melo Rocha. Leve o nosso abraço também ao comandante-geral.

Quero cumprimentar, de forma muito especial, um amigo que nós temos, uma pessoa que chegou num momento muito importante em que o Estado precisava de um profissional da área da saúde à frente da Secretaria de Saúde do Estado, mas precisava também de alguém que tranquilizasse, e essa é a grande dificuldade dos líderes. Naquele momento em que sua equipe está desesperada, porque precisa levar à ponta a solução, o líder tem que, primeiro, tranquilizar para que essas ações cheguem. Então, o deputado estadual Douglas Melo, aqui, deixa um abraço fraterno e também um reconhecimento ao trabalho deste grande secretário Fábio Baccheretti. Aqui, secretário, vai o nosso agradecimento, principalmente da região de Sete Lagoas, por tudo que o senhor vem fazendo e principalmente agora que está tirando o nosso hospital regional do papel e, se Deus quiser, daqui a alguns dias, colocando-o para funcionar. Muito obrigado. Eu quero cumprimentar de forma especial também o pai do senhor que, quando eu olhei rapidamente, achava até que era o seu irmão, porque está tão novo quanto o senhor. Então, o senhor seja bem-vindo. Que o senhor se sinta em casa aqui na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Nesta noite de extrema alegria, eu quero agradecer a todos os prefeitos que também estão aqui. Agradecer ao prefeito Dalton, da cidade de Santana de Pirapama. O Sgt. Dalton está aqui conosco. Quero agradecer também ao Dr. Fabrício, da cidade de Baldim, médico também que esteve na linha de frente e viu a dificuldade que foi para conseguir vagas para os seus pacientes. Cumprimento o vice-prefeito da cidade de Cachoeira da Prata, Zezinho de Hugo; vice-prefeito de Baldim, Emerson Melo; e todos aqueles representando os hospitais que aqui estão; de forma especial, todos os secretários e as secretárias de Saúde. Fica aqui também o nosso reconhecimento a tudo que vocês fizeram durante esse momento de crise, liderando as suas equipes. Isso foi fundamental. Deixo também aqui um abraço para o nosso amigo Ubirajara, que sempre nos atende também lá, na Secretaria de Saúde do Estado, e a toda a equipe da secretaria que aqui está fica o nosso abraço também.

Serei breve na minha fala, mas eu não poderia deixar de cumprimentar as pessoas que saíram do interior para aqui estar, posso dizer, nesta noite, aqui, no Parlamento mais importante do Brasil, onde grandes nomes da política brasileira puderam decidir os rumos do nosso Estado de Minas e participaram, sem dúvida, de grandes decisões. E hoje, sendo um dos 77 deputados do Estado de Minas Gerais, com 853 municípios, 22 milhões de mineiros, quando eu vejo algumas imagens do atendimento da saúde durante a Covid, eu posso dizer que me sinto muito pequeno, porque, por mais que nós estivéssemos no meio da população, nós somos muito pequenos, em vista do que os profissionais da saúde fizeram durante essa pandemia.

Amanhã, coincidentemente, completa-se um ano em que eu estava sendo internado. A Covid é uma doença tão avassaladora. Normalmente quem pegou Covid – pelo menos no início foi assim – não imaginava que ia morrer. Eu mesmo quando comecei a tossir falei: “Estou com uma alergia, a minha alergia está atacada”. Fui tomar o meu antialérgico, aí foi piorando. No dia 30, eu fui para o hospital. Quando cheguei ao hospital, o médico brincou: “Você está até com a cara boa”. Daí a pouco, ele voltou e falou: “Você está com 25% do pulmão tomado, seu fígado já está afetado. Vai ter que ficar internado”.

Isso foi numa segunda-feira à noite, e, na terça, ele me falou: “Amanhã vou lhe dar alta, você está muito bem”. Quando foi na quarta, comecei a ter febre, febre e febre, e aí colocaram-me um monte de compressa, mas a febre não baixava, até que, na quinta-feira, entrou uma técnica de enfermagem, olhou para mim e falou assim: “Você está respirando bem? Você está cansado?”. E eu falei: Ah, estou muito cansado hoje. Ela chamou um médico, e o médico falou: “Leve para o CTI”.

Gente, não sei se alguém que está aqui no Plenário chegou a ter um agravamento do seu quadro, mas são momentos terríveis. Eu inclusive falei que não ia levar mais meu celular, porque, quando eu conversava com meus filhos, eles perguntavam: “Papai, onde você está? Por que você está com isso no nariz?”. Mas, Gil, isso é uma experiência também para a gente se tornar outra pessoa. Algumas coisas mudaram em mim, e mudaram muito, mas outras coisas, não. Primeiro, gente, eu não deixo de comer nada agora, e isso é um problema que adquiri. Depois que eu quase morri, em todo carrinho de cachorro-quente que vejo, se estou com fome, eu paro. Mas foi mais do que isso. A gente passa a dar um valor à vida que é uma coisa impressionante.

Eu, com 37 anos, deitado num leito de CTI. E eu me lembro de que, em frente ao meu quarto, ao leito em que eu estava, havia um rapaz que todo dia ia visitar a sua mãe – todo dia. Ele entrava todo vestido com aquela roupa de segurança, e a mãe dele não mexia um dedo, e eu falei: “Eu não posso mais olhar celular, porque, quando meus filhos quiserem conversar comigo, a minha saturação vai baixar”. E eu peguei uma admiração principalmente pelo pessoal da Saúde. Sabem por quê? É porque a gente é muito acostumado a ver a saúde no dia a dia, trabalhando, e às vezes a gente tem um defeito tão grande em dizer: “Não é mais que obrigação; está recebendo por isso”.

Aprendi que o pessoal da saúde é igualzinho o professor: leva trabalho para casa porque gosta. Não tem como você sair de um hospital, de uma unidade de saúde e falar: “Pronto, meu trabalho ficou ali”. Você leva essas marcas para a sua casa. E eu lembro que havia uma menina que sempre conversava comigo e, um dia, ela falou assim: “Olhe, você precisa ter força. Você tem dois filhos para criar”. E eu falei para ela: “Eu não consigo ter força. Eu estou com medo de não passar por isso”. E ela falou assim: “Deixe de ser bobo, você vai passar”. Ela era a fisioterapeuta que todos os dias ia lá e conversava comigo. E, depois, graças a Deus, depois de quatro dias no CTI, uma médica foi lá um dia e falou: “A sua saturação melhorou, você pode voltar para o quarto”. Graças a Deus, eu me curei.

Quando eu estava lá, o ex-deputado Ivair Nogueira, o Irani Barbosa, melhor dizendo, foi internado e, infelizmente, uma semana depois, faleceu. Logo depois o nosso amigo Ivair Nogueira também foi internado; e depois também o Luiz Humberto, e nós perdemos vários colegas daqui, desta Casa. A Covid realmente mudou a minha vida e mudou a minha percepção também sobre diversos fatos. Nós realmente temos que nos curvar a tudo o que os profissionais da saúde fazem e a tudo que eles pedem. Temos que ser mais responsáveis e saber que, dentro das unidades de saúde, independente do tamanho delas, às vezes falta o básico para se trabalhar, às vezes falta um insumo, às vezes falta o mínimo aparelho, não para o profissional da saúde trabalhar com mais comodidade, mas para ele ter a tranquilidade de falar: “Eu salvei a vida daquele paciente”. E durante essa pandemia nós perdemos muitos profissionais da área da saúde.

Então, Lisley, quero deixar essa homenagem a todos que estiveram na linha de frente no combate à pandemia. Se Deus quiser, essa variante que está vindo da África não terá no Brasil um grande impacto como tivemos em outras ocasiões. Peço às pessoas que vacinem-se, que se coloquem no lugar dos outros. Imaginem o que esses profissionais sofreram, saindo de casa sem saber o que levariam para os seus filhos; sem saber se, dali a algum tempo, poderiam estar também com Covid.

Então essa homenagem que fazemos aqui, na Assembleia, é para ficar registrado para o povo mineiro que a Assembleia Legislativa de Minas reconhece e se curva para todos esses profissionais da saúde. E, se Deus quiser, no ano que vem, teremos um ano de mais tranquilidade.

Já que falei de divisor de águas, nosso superintendente regional de Saúde, Fabrício, nós também queremos aqui reconhecer o trabalho da ciência, tantas vezes criticada por muitos que não a conhecem a fundo. Como a ciência foi importante, não é, secretário Fábio? Num tempo tão rápido, foi preciso criar uma vacina em meio a um campo de guerra em que vivíamos.

Então o nosso reconhecimento também a todos da ciência e a todos que estiveram nessa luta.

Dentro da minha família, eu tive muitas perdas. A minha mulher, por exemplo, perdeu a avó, o tio e a mãe em um mês. Foi muito rápido, mas a gente está aqui, graças a Deus, para comemorar. Lutamos, conseguimos, e tudo isso principalmente por causa dos nossos guerreiros e guerreiras da área da saúde. Que Deus possa abençoá-los. Que venham novas legislações e que esses profissionais possam ser ainda mais valorizados neste nosso Brasil. Nunca se falou tanto que esses profissionais merecem ser valorizados como nesta pandemia, mas eles sempre mereceram. É só vocês visitarem as unidades de saúde. Muita gente já ficou nervosa demais ao chegar lá e falar: “O atendimento está demorando”. A culpa não é do profissional. Ele trabalha para o sistema e depende do sistema também para sobreviver. Cabe a nós, homens e mulheres públicas, mudar essa realidade.

Quero deixar também um agradecimento à nossa The Voice Kids, Elis Cristine, que veio aqui e daqui a pouquinho vai cantar para a gente. Encantou o Brasil e vai cantar aqui, na Casa dos mineiros, viu, Elis? Estou muito feliz pela sua presença e, no mais, deixo um agradecimento muito especial a todos vocês. Obrigado mais uma vez por terem vindo, e um agradecimento especial ao nosso secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, por todo o seu empenho, por toda a sua ajuda. E um abraço também carinhoso aqui ao nosso presidente desta Casa, o deputado Agostinho Patrus, parceiro, amigo, que sempre esteve também do nosso lado, principalmente ajudando a região de Sete Lagoas.

Eu sou um deputado que tenho como base eleitoral a região de Sete Lagoas, mas tenho muito orgulho de ser um deputado do Estado de Minas Gerais, do nosso belo Estado de Minas Gerais. Eu represento 22 milhões de mineiros e hoje tenho a certeza de que esses 22 milhões de mineiros assinam junto conosco o nosso pedido e aprovação para que a Lisley e todos os profissionais da saúde sejam reconhecidos pelo seu trabalho na luta contra a Covid.

Que Deus sempre os abençoe, que Deus abençoe o nosso Estado de Minas Gerais. E que nós possamos de vez deixar a Covid para trás. Um abraço a todos, viva Minas Gerais.