DEPUTADO LEANDRO GENARO (PSD)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 22/08/2020
Página 7, Coluna 1
Assunto ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. CALAMIDADE PÚBLICA. RELIGIÃO. SAÚDE PÚBLICA.
Observação Pandemia coronavírus 2020
30ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 20/8/2020
Palavras do deputado Leandro Genaro
O deputado Leandro Genaro – Boa tarde, Sr. Presidente; boa tarde, deputados, deputadas e também aqueles que nos acompanham pela TV Assembleia.
É muito bom, é uma alegria muito grande poder falar nesta tarde sabendo que está sentado aí, na presidência desta reunião, o pastor Carlos Henrique, meu irmão em Cristo e meu dileto amigo e companheiro. Eu quero falar um pouquinho, deputado Carlos Henrique, sobre a Igreja Evangélica nesse tempo de pandemia. Aqueles que já me conhecem há um pouco mais de tempo sabem que eu demoro para falar, porque antes prefiro observar os fatos, acompanhar os acontecimentos, ouvir as pessoas e ver o desenrolar das coisas. Eu poderia falar de forma geral dos templos religiosos. Nós reconhecemos a importância de todo tipo de fé, não temos preconceito nem prejulgamentos em relação à fé de ninguém, mas cada um de nós tem e deve preservar a sua própria fé. Então, quero me reservar o direito de, como representante dos evangélicos, em especial da Igreja do Evangelho Quadrangular, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, falar um pouco sobre a igreja nesse período de pandemia. Agora, já estamos há cinco meses de pandemia em curso.
A Igreja Evangélica, desde o primeiro momento, quando ainda nem havia decreto impedindo que o culto presencial fosse feito, o que eu observo – meu companheiro Zé Reis está aí; estou vendo você aqui – é que ela se colocou ao lado do poder público para cooperar. Eu mesmo sou pastor de uma igreja local e tão logo tomei conhecimento da proporção do que estava acontecendo, independente de decreto, interrompi durante algumas semanas a reunião presencial tanto durante a semana quanto aos domingos. A igreja é um lugar de refúgio da alma. Se no supermercado eu compro alimento para o corpo, na igreja eu encontro alimento para a alma. É por isso que o nosso presidente já declarou, e vários municípios reconheceram, que a igreja é um serviço essencial. E essencial, no significado da palavra, na etimologia da palavra, é aquilo que eu não posso ficar sem; é aquilo que me faz extrema falta, é aquilo de que eu careço. E quem tem fé carece de alimentá-la; quem tem fé carece de ouvir palavras e receber orações ou, enfim, seja qual for o nome que você acha. Quem tem fé precisa se alimentar também. A igreja, além disso, contribui na conscientização, orientando a comunidade, orientando as pessoas sobre como proceder nesse momento.
Eu tenho observado, não só a minha igreja, mas várias igrejas em que a grande maioria é colaboradora do Estado, orienta os fiéis, respeita as determinações, é submissa, porque este é um dos conceitos que aprendemos na igreja: existe autoridade e também existe submissão. A igreja é submissa àquilo que é colocado pelas autoridades municipais, estaduais e pela autoridade máxima na Federação. Eu quero aqui lembrar que é na fé que as pessoas encontram alento num tempo como este. Mesmo que a gente já esteja agora, há cinco meses depois do início, nós ainda sentimos que as coisas estão longe de voltar ao normal que nós conhecíamos ou talvez nem voltem ao normal que nós conhecíamos. Estamos diante do que estão chamando de novo normal. Nesse contexto, a igreja oferece ajuda e alívio tanto espiritual como emocional.
O que eu quero dizer com tudo isso que estou falando aqui? Que é lamentável, Sr. Presidente, telespectadores da TV Assembleia, observar que alguns prefeitos, em Minas Gerais, ainda não compreenderam a importância da igreja. Alguns prefeitos já abriram quase tudo na cidade, mas não flexibilizaram em nada para as igrejas, ou quando flexibilizam, é algo muito insignificante. Eu acredito que essa flexibilização tem que acontecer considerando a proporcionalidade. Uma igreja em que cabem mil pessoas, e há um decreto que diz que a igreja só pode ter 30 pessoas no culto. Ora, uma igreja que em cabem mil pessoas, 30 pessoas é um número insignificante.
Então eu advogo que cada município deveria observar a proporção. Se é 10%, se é 15%... Eu acredito que 30%, na atual situação, é um número razoável para que os cultos possam ser realizados. Uma igreja em que cabem mil pessoas, com distanciamento, respeitando as normas de prevenção, pode, sem problema algum, fazer um culto com um número maior que 100 pessoas, 150 pessoas, 200 pessoas. E há, ainda, Sr. Presidente, há alguns municípios que não permitem o culto presencial. Há outros que permitem apenas no domingo, em um horário só.
Ora, esses municípios, na sua maioria, já abriram o comércio, já voltaram com várias atividades que são do cotidiano, mas a igreja está sendo preterida. Então, a minha palavra, a minha fala aqui hoje é protestar contra isso, é dar um alerta aos senhores prefeitos, porque boa parte deles estão se colocando como pretensos candidatos à reeleição. A igreja evangélica tem um peso muito grande hoje, no Brasil e em Minas Gerais.
Vou dar um exemplo de um município que conhecemos bem, tanto eu como o deputado Carlos Henrique, o Município de Ribeirão das Neves. O número de evangélicos na cidade é o maior do Estado de Minas Gerais. Graças a Deus, lá, nós não temos tantos problemas, mas estou falando aqui de forma geral. Prefeitos, líderes deem atenção para aquilo que as igrejas estão reivindicando. Eu tenho notícia... Eu prefiro, Sr. Presidente, não citar uma cidade em especial, mas eu tenho notícia de várias cidades em que os prefeitos ainda estão resistindo à reabertura das igrejas. As igrejas são parceiras no combate ao coronavírus. A igreja é e sempre foi parceira do Poder Público.
Eu fui, durante um tempo do meu primeiro mandato, da comissão que trata do combate ao crack e outras drogas. E não há nenhuma instituição, não há nenhuma instituição que dê conta de cuidar e encaminhar à recuperação tantas pessoas como a igreja e as comunidades a ela ligadas. Então a igreja tem o seu papel, precisa ser respeitada e precisa ser reconhecida pelo poder público. Aqui a minha fala é especificamente a alguns prefeitos que estão ainda resistindo à flexibilização para as igrejas.
Não vou falar mais do que já falei, já disse aqui o que eu queria falar, quero agradecer e dizer para você que está me acompanhando aí, principalmente você evangélico que está me acompanhando aí na TV Assembleia: como é que o seu prefeito, que está se colocando como pré-candidato à reeleição, tem tratado as igrejas evangélicas aí no seu município? Observe isso antes de tomar a sua decisão.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O presidente – Muito obrigado, deputado Leandro Genaro.
Com a palavra, para seu pronunciamento, o deputado Coronel Henrique.