Transposição da obra de Yara Tupynambá completa 10 anos
O mural foi transferido das paredes dos gabinetes para a Galeria de Arte, em 2012, estando aberto à visitação.
03/11/2022 - 09:25Há 10 anos, acontecia a transposição do mural “Da Descoberta do Brasil ao Ciclo Mineiro do Café”, da artista Yara Tupynambá, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O mural, hoje localizado na Galeria de Arte, foi inicialmente feito para a decoração do antigo restaurante da Assembleia, que ficava no 2° andar.
O espaço, que era utilizado pelos funcionários e pelo público externo, acabou sendo desativado em 1996 para ser transformado em gabinetes parlamentares. Em 2012, com o objetivo de fazer com que o mural voltasse a ser apreciado por mais pessoas e não mais ficasse escondido em meio às mobílias dos gabinetes, ele foi transferido para a Galeria de Arte e reaberto ao público.
A transposição da obra foi feita em oito meses e acompanhada pela própria artista, bem como pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). Especialistas da Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) coordenaram os trabalhos.
À época, foi organizado e publicado o livro “Mural: da descoberta do Brasil ao ciclo mineiro do café”, de mesmo nome da obra, para registrar todo o trabalho de organização e realização da transposição da obra.
Mural de 17 metros é bem tombado desde 2010
“Em 1973, fui convidada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais a criar um mural para ser colocado em um espaço amplo e nobre, onde funcionaria o restaurante da Assembleia, no qual permaneceu por muitos anos. Escolhi um tema histórico, que marcasse momentos decisivos da história de Minas, e, como suporte para meu trabalho, a cerâmica esmaltada, em virtude da facilidade da limpeza do material, adequado para o lugar escolhido”.
O relato é da artista autora da obra, Yara Tupynambá, para o livro “Mural: da descoberta do Brasil ao ciclo mineiro do café”.
O mural, tombado pelo patrimônio artístico e cultural de Belo Horizonte em 2010, retrata a chegada das caravelas ao Brasil, as cidades históricas mineiras, os ciclos de ouro e do café e a Inconfidência Mineira.
Contendo 17 metros de comprimento e 2,48 metros de altura e 872 azulejos, a artista utilizou tinta vitrificável aplicada sobre cerâmica na cor branca, com queima a 980°C.
Em uma paleta de tons azul e amarelo e com imagens em estilo cubista, Yara utilizou a técnica de pincel e esponja para remeter à tradicional azulejaria portuguesa.
Fases da transposição
Segundo narra o livro “Mural: da descoberta do Brasil ao ciclo mineiro do café”, para a execução do trabalho de restauração-conservação e transposição do mural, foram necessárias três etapas:
- Primeira: estudos preliminares sobre os materiais, a técnica de construção e o mapeamento do estado de conservação do mural; pesquisa sobre a técnica e o estilo adotado pela artista e a contextualização social e política da obra.
- Segunda: retirada dos azulejos do local original, restauração e acondicionamento da obra.
- Terceira: montagem de estrutura para instalação do mural e dos azulejos, nas paredes da Galeria de Arte.
Quem é Yara Tupynambá
Pintora, gravadora, desenhista, muralista e professora, Yara Tupynambá nasceu em Montes Claros (Norte), em 1932. Formada em Artes Plásticas, a artista realizou inúmeras exposições, além de deixar sua arte eternizada, em telas, murais, painéis e gravuras. Seu trabalho tem influência direta dos artistas Guignard e Goeldi.
O trabalho de Yara transita pela história de Minas Gerais, por suas crenças e por seu povo, deixando dessa forma momentos marcantes de nossa história perpetuados em sua arte única e encantadora.